9.10.09

“From UK” é o caralho

O caso de um amigo que está passando o diabo com a filha adolescente de 14 anos.

É que, como se já não bastasse a menina ser Emo e encher o saco do pai com aquela baboseira toda de ”eu-sou-revoltada-porque-não-sou-aceita-do-jeito que-sou” e mimimi, agora ela deu de “migrar” de tribo urbana e está gastando os tufos em apliques e maquiagem importada, adotando um discurso preconceituoso, irrealista, e xenófilo, tudo isso coroado com o uso compulsivo do Orkut.
Aliás, o Orkut é um caso à parte. O pai, coitado, quase teve uma lipotimia quando se deparou com a descrição do perfil da filha. No quesito Orientação Sexual, a menina (menina, já que ela tem só 14 anos), lascou um desafiador “CURIOSA”, ao invés do trivial “heterossexual”.
Até aí, não há razão para tamanho alarde, afinal, infelizmente, hoje em dia é com essa idade que a galerinha anda descobrindo e testando a própria sexualidade. Nada que uma boa (e chata, e incômoda) conversa entre pai e filha não resolva, em conjunto com alguns calmantes receitados pelo terapeuta (do pai, obviamente).
Mas o que me indignou, mas INDIGNOU MESMO, foi que a nova tribo adotada pela garota tem um nome absurdo, esdrúxulo e uma pseudo-filosofia mais nonsense e boçal ainda.
É uma tal de “From UK”.
Como eu disse acima é pura xenofilia, pois me parece que o a idéia central da coisa toda é que “Só no Reino Unido é que todos são felizes e aceitos como são”. Leiam a matéria do link pra ter uma idéia da parada toda…é…. revoltante.
Na boa, quando eu era adolescente (e ainda durante a juventude e parte da vida adulta…e talvez até hj rsrs) eu fui gótica. Fui mesmo e, logo que os emos surgiram por aí, eu nunca havia aberto a boca para criticar os pobres coitados. Sentia que estaria sendo injusta, afinal, dizem que os góticos são os “pais dos emos (discordo, mas enfim, espero que tenham entendido meu ponto de vista). Adolescente é assim mesmo, procura um grupo de identificação e blábláblá, aquela besteirada toda que já sabemos de cor e que é pregada aos quatro ventos pela mídia, pela pedagogia e psicologia.
Mas em toda minha adolescência, com todas as besteiras que fiz, pentelhices, exageros e imaturidade natural da idade, eu me orgulho de algumas coisas.
E de nunca ter sido alienada e burra, são algumas dessas coisas.
From UK? From UK é o caralho! Esses adolescentes nunca estudaram história contemporânea mundial na vida? Não ficaram sabendo de alguns eventos cruciais da história como: época das navegações, Reforma Protestante, colonização britânica na Índia e na Austrália entre outros países (e as atrocidades cometidas pelos britânicos), Primeira e Segunda Grandes Guerras, Revolução Industrial etc, etc, etc?
From UK? Esse bando de burguesinhos burros alheios à tudo exceto ao próprio umbigo pensam que vivem onde?
Sabe o que eu, no lugar desse pai que está cortando um 12 com essa patricinha mimada, faria?
Pegaria essa menina pela mão e a levaria, com seus apliques, delineadores importados, vestidinhos alternativos e cabecinha oca para passar uma semana NA FAVELA.
Na favela da Rocinha.
Eu mostraria pra ela o país onde ela nasceu e vive. E suas belezas, mas PRINCIPALMENTE suas dificuldades. E a faria sentir vergonha de si mesma.
E depois dava uma bela de uma surra de chinelo na BUNDA “From UK”, dela.
Velha Escola, sem medo de ser feliz. Apanhei na bunda a vida toda e nem por isso sou uma serial killer.
Eu corro o risco de parecer uma velha decrépita ao dizer isso, mas essa juventude É UMA MERDA.
Eu não me lembro da minha adolescência ter sido tão fútil, tão omissa, tão idiotizada, tão burra, tão alienada, tão…afe.
Sei lá…fico por aqui pq nem sei mais o que dizer.
A unica coisa que me vem à cabeça no momento é:

God save the queen her fascist regimeIt made you a moron a potential h bomb !
God save the queen she aint no human beingThere is no future in englands dreaming
Dont be told what you want dont be told what you needTheres no future no future no future for you

(God Save the Queen – The Sex Pistols)

SELVAGN


Dentro de mim mora um grito…De noite ele sai com suas garras, à caçaDe algo para amar.Sou aterrorizada por essa coisa negraQue dorme em mim;O dia inteiro sinto seu roçar leve e macio, sua maldade.Nuvens passam e se dispersam.São estas as faces do amor, pálidas, irrecuperáveis?Foi para isso que agitei o meu coração?Sou incapaz de mais compreensão.E o que é isso agora, essa faceAssassina em seus galhos sufocantes?O beijo traiçoeiro da serpente.Petrifica o desejo. Esses são os erros, solitários e lentos,Que matam, matam, matam.

Farofa – fa ou “antes da chapinha”


No final dos anos 80, comecinho dos noventa, eu tropecei em meus complexos e caí na infinita espiral descendente que foi minha longa, difícil e revoltada adolescência e acabei me agarrando ao goticismo e suas obscuras vertentes culturais e musicais, as quais nunca mais abandonei, diga-se de passagem.
Mas é claro, eu tinha apenas uns treze anos e ainda flertava com o lado negro da força e como qualquer garota de minha idade durante grande parte do dia meu senso estético e meu repertório pop eram constantemente bombardeados com calças clochard, gel para cabelo com glitter, corte de cabelo a la “Chitãozinho e Xororó” (também conhecido como “franja-samambaia”), cores flúor, Madonna, Michael Jackson e comerciais da Hollywood com suas indefectíveis trilhas sonoras“farofa rock”.
Eu adoro farofa rock. E antes que qualquer remanescente das trevas me piche uma maldição, tenho que dizer que esse gênero musical não pode ser por mim friamente analisado porque tenho por ele um apego emocional enorme, portanto, não sou possuidora do distanciamento necessário dos críticos, já que ele está ligado, para mim, à uma época despreocupada, pré-adolescente, praticamente sonorizando o final de minha infância.
Mas como alguém que gosta de, sei lá… Einsturzende Neubauten, Freiburger Spielleyt, Yo La Tengo entre outros vai gostar de…Poison? Bem, idiossincrasias e paradoxos de minha pessoa à parte, acho que gosto de farofa rock PRINCIPALMENTE porque não enxergo o estilo como algo sério.
Aquilo pra mim não é música, é pura tiração de sarro, é puro estilismo, é exagero proposital, é metalinguagem pura e simples, a indústria musical tirando sarro de si mesma, ou vai me dizer que é pra levar a sério a letra de um Dr. Love, do Kiss por exemplo? – “Oh, fique de joelhos, baby…eu sei do que você precisa…o primeiro passo do tratamento é um beijo”…Putamerda, não dá.
É a mesma coisa que querer analisar Mamonas Assassinas, Calypso ou funk. Apesar de sociólogos e antropólogos defenderem seu valor cultural, a coisa toda é pra ser relevada. É pra ouvir e dar risada, é música feita por encomenda pra curtir, não é à toa que o gênero também é chamado de “arena rock”…é música pra show, pra ser tocada em grandes estádios, tomados de fãs enfurecidos, suados, bêbados, tatuados e barbudos e mulheres de shortinho jeans mostrando os peitos. É pra se divertir e servir de fundo musical para comerciais de cigarros com esportes radicais e só. Como se cigarro combinasse com esporte… viu como tudo NÃO faz sentido?
Os trajes, (ou a falta deles…) os cabelos enormes (e permanentados), as calças apertadíssimas e as guitarras empunhadas como símbolos fálicos são emblemáticos do gênero. Inesquecível, vai dizer?O farofa rock, surgiu na verdade na rabeira do glam rock e do new wave, tendo como precursores bandas como Kansas, NY Dolls (que na verdade eram punks) T-Rex e Gary Glitter, e por exemplo. Depois disso, no final dos anos 70 a mistureba com a disco music e uma espécie de soft metal (ou seria EMO metal? Rsrs) deu origem à bandas como Cinderella, Heart, Journey, Winger, Asia Phenomena II, Twisted Sisters, Kiss Poison, Whitesnake, Survivor e bandinhas com nomes de estados e cidades americanas…fear them!
Farofa rock tem gosto de fim de infância, primeiros goles de cerveja, hormônios e risadas.
E quem nunca assoviou a melodia de “Love Ain’t no Stranger” que atire o primeiro maço de Hollywood…o sucesso!

8.10.09

amiga...

Quando me lembro da gente, tudo rescende à adolescência.
Nós, debruçadas na sacada da Galeria, fumando, tirando sarro das roupas das patricinhas e maldizendo a vida por puro esporte…ou porque éramos mais criativas e engraçadas, ferinas, desdenhando de algo do que elogiando, talvez. Exaltar (e praticar) virtudes nunca foi o nosso forte…
Nossos problemas iam do vestibular a namorados escrotos que não sabiam transar, de flertes inconsequentes capazes de colocar nossas poucas amizades femininas em risco à dificuldade em guardar dinheiro para comprar a próxima coletânea do X-Mal Deutshland, passando por nossos pais, a política, esse país, essa vida besta, a falta de perspectivas, a revolta… essa espiral descendente de pirações, roubadas e experimentações que tanto testou nossos limites, quanto explicitou nossas fragilidades….e nos ensinou, e nos moldou… e fez de nós as mulheres que somos hoje.
Seja isso algo bom ou ruim….
Me lembro de como, apesar de tudo ou talvez por isso tudo, o riso era fácil e de como todo sábado à noite sempre guardava a próxima ”melhor festa de nossas vidas” que, no final, era igual a qualquer outra festa que custumávamos frequentar: vinho barato, bizarrices, sexo, drogas e rock’n roll, a trindade infame padroeira dos condenados à prisão e ao peso da própria existência.
Me lembro de nossos corpos girando no ar, em êxtase, alheios a tudo e a todos, longe de nós mesmas e da realidade tediosa que nos cercava. Dervixes sombrios capazes de devastar qualquer resquício de adolescência saudável, feliz e completa.
Corpos negros, que, negros que eram, absorviam completamente qualquer tipo de radiação que neles incidia.
Tão bom saber que você me completava (completa). E lia minha mente, e sentia essa fome. Tão bom saber que “você terminava onde eu começo completamente pelo lado do avesso”. E sentíamos tudo, juntas.
Éramos tão felizes em nossa própria tragédia!
E agora, graduadas, na vida e nas artes, perfeitamente inseridas nessa tal de sociedade que tanto xíngávamos e que teve nosso mais profundo desprezo e ódio durante tanto tempo (e ainda os tem, de certa forma, em certos assuntos), atarefadas, responsáveis, cidadãs de bem, com carteira de trabalho assinada e comprovante de residência, ora veja…
Simplesmente não conseguimos mais nos encontrar.
Somos tão trágicas em nossa própria felicidade!
E o riso não é mais tão fácil, na verdade precisa ser cultivado sob o risco de se extinguir, e o amanhã não guarda mais a “melhor festa do resto de nossas vidas”, aliás, fugimos delas e preferimos pétite comitèes, poucos, bons e perenes amigos, não mais com vinho barato, mas com garrafas que custam muito mais do que sonhávamos jamais poder pagar…e o sexo? ah sim, esse continua, mas não mais em festas…drogas? bem, paramos porque comprometem nosso rendimento “na firma” e o salário no fim do mês …
da torpe trindade só sobrou o rock’n roll cultivado agora nesses malditos Ipods, a válvula de escape aceita pelo coletivo, que possui a assombrosa capacidade de emprestar uma trilha sonora à nossa vida, tornando-a malditamente lírica e saudosista…causando rompantes… e textos como esse.
Simplesmente porque ouvi uma música que me lembrou de nossa adolescência, enquanto passava pelo local onde constumávamos nos encontrar…e o tempo parou.
Tenho saudades de você.

O ministério de quem tem mais o que fazer adverte:
“Não alimente os loucos”

P.....


Hoje eu quero que você morra.
Quero que os motoristas e cobradores de ônibus morram, que os mendigos morram, que os pedestres morram, que as recepcionistas com seus coques -ridículos, sombras cor-de-rosa e roupas bege horrendas morram, que o caminhão do gás exploda e pare de tocar aquela musiquinha de deixar surdo louco, que o Chico Pinheiro tenha uma síncope e caia, com a cara na bancada, no ar, durante o SPTV, e tudo, todos e qualquer coisa que cruzar o meu caminho hoje, morra.
Mas só de brincadeira. Que se finjam de mortos, ao menos, quando me virem.
Hoje eu queria morrer. Queria ficar trancada em casa, deitada na cama com o travesseiro dobrado de modo que tampasse minhas orelhas, pois não aguento ouvir o som da minha própria respiração.
Então, já que eu estava com raiva até de respirar, resolvi prender o ar. Mas aí fiquei com mais raiva ainda porque percebi que o ser humano, geralmente tão cheio de sí e responsável pelas coisas mais estupendamente brilhantes e desgraçadamente terríveis que já aconteceram nesta merda de planeta, ainda não desenvolveu outra forma de respiração que não a nasal/bucal ou uma que ao menos não utilizasse o ar como elemento necessário para tal tarefa.
O ser humano é um boçal. Esse tal de ”cerumano”.
Eu queria ter uma daquelas câmaras que aparecem naquela buçanga de filme do Demolidor, sacam? Não, não aquela bosta com o Sylvester Stallone, a outra bosta, com o inútil do Ben Affleck, em que ele interpreta o vigilante cego vestido de demônio.
Sim, aquela coisa putrefata que as pessoas têm a audácia de chamar de filme. E olha que o Demolidor é meu herói predileto…mas aquilo foi um assassínio. Como Stan Lee pode ter aprovado uma coisa daquelas? Ele deve estar caduco. Enfim, já que o DD é cego, tem os outros sentidos super-desenvolvidos (como a audição) e dorme (no filme, pq na HQ não tem nada dessa putaria) num câmara d’água, à prova de som.
O que é uma tremenda de uma burrice, vejam só. Se uma pessoa passa mais de 4 horas imersa, vai virar um maracujá de gaveta, com a pele mole feito geléia, quase descolando dos ossos. Existem materiais à prova de som, o desgraçado não precisava dormir feito um frango ensopado. E quem disse que durante a noite ele não vai se mexer? Ele dorme feito uma múmia? O mínimo movimento e o f.d.p. vai ter a impressão de que um tsunami está invadindo NY….ridículo, ridículo.
Ele que morra também. Ele e o inventor dessa câmara d’água de gerico. Eu nem queria uma mesmo.
Mas enfim, eu queria entrar num lugar, mínimo, que não tivesse som, nem pessoas, nem luz, nem nada e ficar ali, quieta. Um caixão? Não, tenho raiva dessas gotiquices. (rá!)
Talvez dormir, pq quando a gente dorme não sente raiva.
Mentira. Vou ter raiva até do que eu sonhar.
Nem que eu sonhe com o Johnny Depp seminu, cabelos ao vento, em cima de um cavalo negro numa praia deserta vindo me buscar, sei que vou ter raiva.
Vou ter raiva porque seria apenas um sonho.
Ou então eu vou sonhar com o Johnny Depp com uma pança de cerveja e banguela, equilibrando-se desengonçadamente sobre um camelo babão e fedido, correndo feito louco em minha direção enquanto uma tempestade tropical se forma no horizonte cinza-chumbo cheio de raios…
Vou ter raiva se não sonhar com nada também.
Acho que vou entrar no guarda-roupa. Vou ficar lá com a minha gata. Talvez eu torça o pescoço dela. Mas aí vou ficar com raiva por ter que fazer isso. Então, deixa ela ali.
Na verdade estou morrendo de raiva desse post inútil e idiota, acho que vou deletá-lo.
Eu já gritei com o computador, já esmurrei a mesa, já joguei o telefone longe, já mostrei a lingua pro bebê na rua e ele abriu um bocão, chorando, já esbravejei com a minha gata, já mandei o vizinho plantar batatas, já falei pro meu médico que ele não sabe porra nenhuma, já mandei minha chefe pastar, já biguei com o meu namorado porque tô cansada de ouvir esse negócio de que ele me ama e tal, falei pra minha melhor amiga que ela tá gorda, falei pra minha mãe que a comida estava horrível e falei pra minha vó que ela ronca.
E essa raiva não passa!
Vou ali bater a cabeça na parede. Mas acho que vou ficar com raiva também.
PORQUE SEI QUE ESSA MERDA DE TPM VAI PASSAR, MAS O GALO VAI CONTINUAR.
BAH! QUE RAIVA!

2.10.09


Assim ele chegou, devagar.
Quem és tu?
És um mago amado meu
que retornou e me fez perder o controle dos meus dias,
dos meus sonhos e desejos?
Vem que te espero como sempre esperei
Nos meus sonhos
Nos meus dias solitários.

Toma-me
Como se cada vez fosse a única
como se cada vez me revelasse
sente a pele arrepiada
e o que minha alma esconde...