Sacudido, o sentimento acabou se quebrando
por não ostentar no peito uma placa dizendo frágil.
Não sei a quantas anda a leitura de v6 que visitam este blog...ultimamente ando meio ausente..
Não, não sei traduzir em palavras o que me leva a escrever. Até porque há muito não escrevo com regularidade, tanto que este texto é um simples relato crú, sem voltas poéticas ou tiques nervosos de um contista.
Os que costumam ler este blog já devem ter percebido que um dos assuntos que mais gosto de tratar é o tempo: essa coisa sólida intangível que nos cerca. Acho que devo tê-lo constrangido, pois agora ele me devora e não permite mais que coloque na pauta imaginária do documento em branco meus devaneios mais profundos. E digo profundos pois escrever superficialmente não é algo que me agrade. O que me leva a escrever é a subliminaridade das palavras bem colocadas (nem sempre tão bem colocadas), as entrelinhas, a sutileza da interpretação, pois acredito que meus textos são como natimortos que ressurregem quando lidos, e de alguma forma ganham vida em meio às referências pessoais de cada um.
Contudo, aprendi que não sou um escritora. Sou apenas um plágio de tudo que vejo, sinto e vivo. Não tenho uma fórmula. Na verdade costumo ser acometida por letras, como parasitas que emergem após passado o tempo de incubação. Fora isso apenas persisto em tentar criar a melhor atmosfera para que elas, as palavras, tenham a chance de reiniciar seu ciclo, instalando-se aconchegadamente entre as referências dos que me lêem, para enfim cumprirem seus devidos papéis. Tudo é questão de tempo.