22.11.10

HUN?

Metade... inteira


Ele um dia me fez querer ficar e lutar, fiquei e lutei... Depois de um tempo me vi correndo pra longe em busca de colo, de afago.

Ele um dia me fez triste, magoou-me ao me mostrar os espinhos de uma bela rosa, quando me vi sangrando chorei! E chorei uma dor que eu sabia que passaria, mas até passar... eu chorei sem vergonha.

Ele me afastou, aos poucos, sem perceber... Ou percebeu e nada fez, quem sabe não quis mesmo que fosse assim?

Ele era de uma grandeza, um porte de homem dos meus sonhos... e eu, bicho birrento que sou, quis pra mim, fui atrás, pedi sua mão e agonizei em seus braços mil vezes quase todas as noites.

Despi-me em meio ao passeio público, uma louca pelada no meio da rua, tudo por sua atenção! Conseguia um abraço.

Mostrou-me a dor de não ter reciprocidade, não do jeito que se espera.

E fui, corri pra longe, senti o peso da saudade nas costas, nos lábios e o vazio em minhas mãos... Eu, pena de ganso à mercê do vento...

Verdade pura transbordava pelos poros, bem cruel e exagerada! Fiz questão de ser.

Novo porto, novas tempestades... Me veio então outra brisa, bem de mansinho, chegando "vagarinho" outro menino de olhos tristes, tão tristes e perdidos quanto os meus.

Se os olhos se encontram e se reconhecem, o que resta? Dizer um oi, porque foi essa a vontade.

A brisa foi ficando, como era mansa entrou pelas frestas. Soprou pra sarar a ferida, deu até beijinho pra passar.

A lua muda e com ela as marés, os ventos e tudo ligado a isso...

Brisa, vento, vento forte, ventania, furação, tufão...

E eu disso não! Disse não!

Aqueles olhos tristes me sugaram pra dentro de si. Nem sei sair daqui, nem sei se quero sair, um lugar bonito assim... Quem ia querer sair?

Ele me fez querer olhar as coisas novamente... Prestar atenção em tudo, de novo. Estou olhando e gosto do que vejo.

Eis que reaparece o moço do começo da estória, porque quem é vivo...(!)

Me fala então, coisas que nunca havia falado, como quem corre atrás do tempo perdido, como quem se arrepende de nada ter dito. Na verdade, coisa de bicho mesmo, veio no rastro, sentiu outros cheiros...

Disse-me que ainda faltava crescer, conseguir seguir sem estar pendurada em alguém, magoou-me de todas as formas possíveis...

Jogou-me no olho do furacão.
Ninguém lembra que eu sigo os rastros da lua, que mudo como as marés, que gosto das brisas, das ventanias e dos furacões.

Meu porto, chama tempestade.

Vou-me então, com a metralhadora cheia de mágoa e verdade crua, aquela que dói e que arranca pedaços.

O que fazer? Ser ou não ser?

"Onde sou e quem estou?"
Resta esperar a próxima lua! E aguardar os próximos capítulos de qualquer estória nua e crua.

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