18.5.10


Lúcifer*


Somos todos anjos,

Mas não sabemos voar.

Pois somos anjos caídos,

Que se arriscam

Em vôos curtos,

Ainda aprendendo amar.

Por que aqui sempre chove.

E sobram só as asas murchas.

E a pureza, posto que é açúcar,

Desfeita em lagrimas de sal.

Por que sempre chove.

Molhando todo o pouco que sobrou.

E os amores,

os sonhos e desejos puros,

Formam sempre a mesma massa.

Como um nó na garganta.

Puro papel machê.

Por que sempre sobra um pouco.

O suficiente pra nos manter no passado.

Fica sempre um elo.

“Endurecer sem perder a ternura”

“Amadurecer sem perder a meninice”

É preciso ser moderno sem perder o classicismo.

Luzes no céu:

-São mais do que fênix voadoras

Ou flechas de anjos apocalípticos.

São anjos de papel;

Ideologias

Que se desfazem em cinzas.

Nesta manha nublada,

Vejo anjos caindo do céu.

Como estrelas solitárias.

Ideologia feita às presas

Tropeçando nas próprias pernas.

Estamos sempre caindo.

Mas sempre presos,

Suspensos no ar.

É tudo tão obstrato.

Mas concreto o suficiente

Pra deixar dor e saudade.

E o sol,

Nem sempre quer nos iluminar.

Quem diria,

Um dia,

Até ele ira se apagar.

Nesta noite fria,

Que tanto chove quanto faz calor,

É preciso ter fé.

Mesmo que tudo se molhe;

Mesmo que murche

A ultima flor.

Anjos caídos;

Asas murchas;

Pureza em dor.

E a noite fria e solitária

A nos cobrar dureza.

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