Sentada perto do balcão do bar, ela me ouvia.
Uma conversa adulta demais sobre a minha vida não tão adulta assim.
Eu precisava de alguém pra me dar conselhos, mesmo que no fundo eu saiba que não sigo conselhos de ninguém. Sou um pouco egoísta demais, eu diria.
Três cervejas, e enfim, fim.
Falei tudo, ou tudo que eu achava necessário mais alguém saber.
Ela começou a falar.
E de fato, achei que seria diferente.
Sempre digo isso, e é sempre a mesma coisa. Sempre.
A gente espera ouvir uma coisa, e não ouve.
A gente deseja não ouvir uma coisa, e ouve.
"- E quando você vai aprender a não se colocar no lugar dos outros?"
Mas como assim, porque ela falou isso pra mim?
"- Mas você só se coloca quando já cometeram o erro. Percebeu que ninguém faz isso por você? "
"- Claro que não..." Comecei.
"- Você é sempre tão correta e acaba sempre errando. Diz que tá cansada de esperar as coisas, e no final tudo fica vendo tudo se repetir, e não percebe que não é o tempo que faz as situações serem as mesmas, e sim você que sempre age da mesma forma, pare com isso, ele não merece tanta dedicação."
Bebi rápido a cerveja e dei a desculpa que já estava tarde.
"Preciso ir embora, nos falamos depois".
"- Desculpa, você sabe, as cervejas..vou só hoje."
Tudo bem. Você está certa.
Eu só estou indo embora porque já chega de verdades por hoje.
É, chega, eu entendi.
Levantei e fui embora.
Pensei: as vezes eu queria ser menos Eu.
Pelo menos em algumas horas dos meus dias.
Por exemplo, agora.
Ele, tão errado e individualista.
Eu, tão ferida.
Eu.
(...) Enfim.
Assinar:
Postar comentários (Atom)


Nenhum comentário:
Postar um comentário