Sabe, eu tentei escrever uma carta linda...
Não é engraçado escrever cartas nos dias de hoje? É sim, mas eu ainda escrevo...
Mas eu queria que essa carta fosse de amor, de sentimentos, de carinho, sei lá, de tudo o que eu tenho de mais bonito aqui, guardado.
Mas eu não consegui... Eu que me expresso melhor escrevendo, não consegui encontrar as palavras certas. É que não tem palavras certas pra explicar... Essa saudade...
E nessa parte da história não sei dizer que saudade é essa que me vem assim no meio de uma tarde chuvosa, ou de uma noite quente, ou dispara bem no meio do meu peito uma flechada quando eu caminho por aquela avenida movimentada...
Ah, mas hoje, eu tentei escrever uma carta, e quando eu vi, meu coração estava chorando.
E ele disse assim, olha, eu ainda estou doendo, cara!!!
Como se eu não soubesse...
E eu ri em meio as lágrimas. Às vezes, a gente faz isso quando os sentimentos se misturam aqui dentro.
E eu respondi, olha, quando você dói aí, eu choro aqui e fácil!
E eu disse, vamos passear? Mas ele, o coração, não quis. Quis ficar doendo. E o dia todo. E com ele assim, fica difícil terminar uma carta. É que ele não consegue ditar nada bonito quando está doendo... Dita só dores. E disso, eu ando um pouco cansada...
E também, eu queria que a carta fosse a mais linda do mundo. Do jeito que é o que eu sinto. Porque o amor, o verdadeiro é claro, é a coisa mais linda do mundo. E esse amor, eu aprendi sentir.
Ah, mas deixa isso pra lá. É que o coração doendo, faz a gente ficar assim mesmo. Sensível. E chorona. E triste até.
Mas não se preocupe que eu tenho sido feliz apesar desse coração bobo que eu tenho...
Ah, deixa isso pra lá...
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