No momento estou como o sedento que recebe a água no último segundo de vida. E morre.
E confesso, tive tanto medo de me abrir.
De ver teus olhos com outros olhos... sabe..
E sentir teu cheiro.
E ouvir tua respiração.
De te ver perto de mim...
Eu tive tanto medo de mim...
Engraçado como há poucos segundos antes de voçê chegar, eu te via cinza. Mas agora, algumas lembranças se coloriram. Algumas que eu não vou te contar nesse instante...
Instantes...
Mas eu me abri. E te li.
E li como quem procura avidamente as respostas - uma gota d'água no deserto, antes da morte certa - respostas para o que eu me perguntei por tanto tempo. E foi o próprio tempo que disse que iria me responder. E eu fiquei esperando com aquela triste sensação de que ele havia se esquecido de mim.
Aquela triste sensação de que você também tinha se esquecido de mim.
E confesso agora, eu não esperava por voçê. Sabia que voltaria com outro cheiro..E voltou!
Como eu não esperava mais por você...
E acho mesmo que não espero mais...nem sei mais...está tudo tão diferente, tão cheio de ideias patéticas.
Mas eu ainda gostaria de saber se você tinha a pretensão de voltar quando me ligou a primeira vez. E se ficaria se eu te pedisse.
Só que não vou te pedir não. Não tenho mais nada pra pedir.
Quando eu pedi pra você não me magoar, você não me atendeu...
Por isso, ainda não respondi às tuas perguntas... Nem me manifestei em tua conversas.
Meu coração tem perguntas sem respostas.
Meu coração ainda tem uma dor que me faz chorar.
Meu coração tem tanto medo agora!
Você entenderia se eu ficasse em silêncio então não é?
Entrego agora aa tuas palavras ao tempo e aguarde ele te responder.
Espera como o sedento que lhe coloquem nos lábios a última gota e mesmo assim, ele morre...
Mas falo da esperança que tem aquele que ainda assim, traz a água...
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